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Prontuário integrado e eliminação das filas: as propostas de Juracy Cavalcante para transformar a saúde no DF

  BRASÍLIA — A saúde pública do Distrito Federal vive um momento de transição e reestruturação sob o comando do médico Juracy Cavalcante La...


 BRASÍLIA — A saúde pública do Distrito Federal vive um momento de transição e reestruturação sob o comando do médico Juracy Cavalcante Lacerda Júnior. À frente da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) após presidir o Instituto de Gestão Estratégica em Saúde (IgesDF), o secretário assumiu a pasta com metas claras e urgentes: o uso intensivo de tecnologia para desatar os nós históricos da rede pública, com foco na implementação do prontuário eletrônico único e no combate às extensas filas de espera por cirurgias eletivas e tratamento oncológico.

Com formação em Liderança na Saúde 4.0, Juracy Lacerda aposta na modernização dos processos internos e na integração de dados como a principal engrenagem para otimizar o atendimento ao cidadão e otimizar a infraestrutura já existente sem necessariamente depender apenas de novas construções físicas.

O Desafio da Integração: Prontuário Único "On-Time"

Um dos principais gargalos que o novo secretário identificou na rede do DF é a fragmentação das informações dos pacientes. Atualmente, a SES-DF, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) geridas pelo IgesDF e os hospitais parceiros — como o Instituto de Cardiologia e Transplantes (ICTDF) — utilizam sistemas eletrônicos que nem sempre conversam entre si em tempo real.

O plano central da gestão é unificar esses históricos médicos. A migração digital envolve o cadastro de dezenas de milhares de pacientes para que a ficha clínica e o histórico do cidadão fiquem acessíveis instantaneamente em qualquer ponto de atendimento da rede pública. Além disso, o projeto prevê uma inédita integração de sistemas de dados de saúde entre o DF e as cidades do entorno de Goiás.

"Temos hoje um sistema eletrônico, mas ele precisa passar por mudanças para termos essas informações on-time. A unificação garantirá que o cadastro e a ficha clínica estejam acessíveis instantaneamente em qualquer unidade", destacou Lacerda em entrevistas recentes à imprensa local.

A lógica por trás da tecnologia é simples: com um painel em tempo real e maior controle sobre a gestão de leitos e fluxo de pacientes, ganha-se em eficiência. Segundo o secretário, otimizar essa rotatividade com inteligência de dados equivale, proporcionalmente, "a fazer nascer um hospital de 500 leitos na rede pública", apenas eliminando o tempo ocioso e as falhas de comunicação de prontuários antigos.

A Força-Tarefa contra as Filas de Oncologia e Cirurgias

A outra prioridade absoluta da gestão de Juracy Lacerda é dar vazão à demanda represada na regulação. As áreas de oncologia e cirurgias eletivas são os alvos principais. Para acelerar o fluxo, a secretaria desenhou uma estratégia em duas frentes:

Atualização Cadastral e Busca Ativa: A pasta emitiu alertas públicos convocando os pacientes que aguardam na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) a atualizarem seus dados de contato. O objetivo é evitar o "absenteísmo" — quando uma vaga é liberada, mas a equipe não consegue localizar o paciente por números de telefone desatualizados.

Credenciamento da Rede Privada: Reconhecendo os limites físicos imediatos da rede própria, a estratégia de Lacerda prevê a publicação de editais de credenciamento para que hospitais privados possam absorver parte da demanda de cirurgias e procedimentos de alta complexidade em formato de força-tarefa complementar.

Desafios Políticos e Gestão na Ponta

Embora o plano focado em tecnologia e eficiência administrativa seja visto com otimismo por técnicos do setor, a transição de Juracy Lacerda do IgesDF para a Secretaria de Saúde também enfrenta forte escrutínio político. Deputados da oposição na Câmara Legislativa do DF (CLDF) e sindicatos de servidores públicos têm manifestado preocupações quanto ao modelo de gestão por institutos e cobram que o foco em tecnologia venha acompanhado de valorização real e contratação de mais recursos humanos efetivos para a ponta do sistema.

Ciente do tamanho do desafio e das cobranças que cercam a pasta mais complexa do governo do Distrito Federal, o secretário tem defendido um modelo de gestão itinerante, buscando visitar as unidades de saúde, ouvir os servidores locais e monitorar de perto os gargalos de abastecimento de insumos e medicamentos.

A promessa de um SUS totalmente integrado e com filas controladas no Distrito Federal entrou em sua fase mais crítica de execução, e o sucesso dos planos de Juracy Lacerda será medido, dia após dia, na porta dos hospitais e das UPAs pelo cidadão do DF.

Da redação do Portal de Notícias da Rádio Candanga, por Erto di Carvalho, Jornalista

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