Brasília respondeu de forma expressiva à gestão de Celina Leão. O resultado das urnas, diante do adversário que enfrentou, entra para a hist...
Mas há um detalhe importante nessa fotografia eleitoral: a governadora não venceu nas duas asas de Brasília — Norte e Sul —, embora a diferença tenha sido pequena. Isso, por si só, não representa demérito. Ao contrário, revela uma característica que pode ser observada em grandes cidades do Brasil e do mundo.
Quando um governo concentra investimentos, infraestrutura e serviços em determinadas regiões e consegue elevar a qualidade de vida de seus moradores, pode surgir também um certo distanciamento político desses redutos em relação ao governo de plantão. Não é um fenômeno exclusivo de Brasília.
E é justamente aí que entra uma questão importante sobre a gestão Celina Leão: qual foi o alcance territorial das ações realizadas?
O Projeto Drenar DF e diversas intervenções no Plano Piloto mostram que a estratégia de governo não ficou restrita às regiões periféricas ou às áreas onde a demanda social é historicamente maior. Houve também investimentos em uma região central e estratégica da capital.
A leitura política desse cenário precisa considerar o conjunto da cidade. Brasília é formada por muitas Brasílias — diferentes realidades, necessidades e percepções sobre o poder público.
Celina Leão termina esse capítulo eleitoral com uma votação que demonstra a força de seu projeto político, mas também com um mapa que mostra onde ainda existem distâncias a serem encurtadas.
Governar Brasília, afinal, é como conduzir uma cidade que nasceu para unir duas asas: Norte e Sul.
E o desafio de qualquer governo é fazer com que essas duas asas continuem voando juntas.
Da redação do Portal da Rádio Candanga, por Erto di Carvalho
