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CRM-MG discute segurança de médicos após caso de agressão em Montes Claros

  Encontro reuniu representantes da saúde e da segurança pública para discutir medidas de prevenção após a agressão a uma médica no Hospital...

 


Encontro reuniu representantes da saúde e da segurança pública para discutir medidas de prevenção após a agressão a uma médica no Hospital Santa Casa, em junho deste ano.

O Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG) realizou, na tarde desta sexta-feira (24), uma reunião em Montes Claros, no Norte de Minas, para discutir a segurança de médicos e demais profissionais da saúde.

O encontro faz parte de uma série de reuniões promovidas pelo Conselho em diferentes regiões do estado em razão do aumento dos casos de violência contra profissionais da saúde, especialmente médicos. Segundo dados do Conselho Federal de Medicina (CFM), Minas Gerais é o terceiro estado com o maior número de registros de violência contra médicos no país.

Em Montes Claros, participaram representantes da saúde, da segurança pública e de hospitais para debater medidas de prevenção após a agressão sofrida por uma médica no Hospital Santa Casa, no dia 23 de junho.


Encontro reuniu representantes da saúde, da segurança pública e de hospitais do município. Foto: Brunna Guedes

Segundo o presidente do CRM-MG, Ricardo Hernane Lacerda de Oliveira, o objetivo é discutir estratégias para reduzir os casos de violência e fortalecer a proteção aos profissionais de saúde.

“Nós temos que saber como estão funcionando as unidades, como está sendo garantida a segurança do paciente, do médico e de toda a equipe de saúde. Também queremos reunir experiências de outros municípios para construir mecanismos que melhorem esse atendimento, protejam o profissional e, consequentemente, o paciente”, afirmou.

“Precisamos entender como proteger a equipe médica e, consequentemente, o paciente”, afirmou o presidente do CRM-MG, Ricardo Hernane Lacerda de Oliveira. Foto: Portal Webterra.

Impacto na assistência

Para o conselheiro regional do CRM-MG em Montes Claros, Itagiba de Castro Filho, a violência afeta não apenas os profissionais, mas também a população.

“Boa parte dos médicos que são vítimas de violência abandona o serviço. Eles deixam de trabalhar em decorrência de ameaças, inicialmente verbais e, muitas vezes, físicas.”

Segundo ele, a saída desses profissionais compromete diretamente a assistência prestada à população.

Conselheiro regional em Montes Claros, Itagiba de Castro Filho. Foto: Portal Webterra.

Medidas de segurança

O secretário municipal de Segurança Integrada, Járson Hansen, apresentou as ações desenvolvidas para reforçar a segurança nas unidades de saúde de Montes Claros.

Segundo ele, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) contam com dispositivos eletrônicos de pânico, que podem ser acionados em situações de ameaça ou agressão.

“Então, em uma possível agressão ou ameça, esse botão de panico é acionado dentro dessas unidades e, de imediato, a nossa central da Guardiã dos Montes também é acionada, e é encaminhado uma viatura da Guarda Municipal para esses postos de saúde.”

O secretário municipal de Segurança Integrada, Járson Hansen, também esteve presente. Foto: Portal Webterra.

O secretário destacou ainda que a Patrulha SUS atua exclusivamente nas unidades básicas de saúde durante 24 horas por dia.”Intensificamos as ações e disponibilizamos mais uma viatura para atender as unidades básicas de saúde da Prefeitura de Montes Claros, para que os médicos possam se sentir mais seguros”, afirmou.

Caso de agressão

Ao comentar o episódio registrado em Montes Claros, o conselheiro regional informou que a mulher suspeita de agredir a médica já apresentava histórico de comportamento violento. Em entrevista ao Portal Webterra, ele relatou que a profissional foi atacada pelas costas enquanto atendia a filha da agressora.

“Infelizmente, ela sofreu um traumatismo craniano. Hoje está bem, mas, obviamente, bastante abalada”, afirmou Itagiba de Castro Filho.

Na época, foi registrado um boletim de ocorrência e a suspeita foi autuada em flagrante.

Classe médica

A coordenadora de Pediatria da UPA Chiquinho Guimarães, Juliana Lopes Palhares, afirmou que o caso causou grande impacto entre os profissionais de saúde.

“Ficamos todos muito assustados. É assustador pensar que nós, enquanto profissionais, exercendo nossa atividade, possamos estar expostos a esse tipo de situação”, relatou.

Juliana contou ainda que a médica agredida foi sua professora e é uma profissional que tem uma carreira muito respeitada.

O que a gente procura é uma melhoria na segurança, para que a gente possa trabalhar da maneira correta, em favor da população“, afirmou Juliana Lopes Palheira. Foto: Portal Webterra.

Ela defendeu a adoção de medidas para ampliar a segurança nas unidades de saúde e ressaltou a importância da conscientização da população.

“A gente espera, realmente, que seja feito algo para garantir essa segurança. Esperamos também a conscientização da população, para que enxergue a gente como profissional, que está ali trabalhando como qualquer outro. Então, é necessário mudar um pouco essa visão, parar de ver o profissional, às vezes, até como inimigo. Nós estamos, pelo contrário, buscando ajudar, exercer nossa profissão com dignidade e respeito. O que a gente procura é uma melhoria na segurança, para que a gente possa trabalhar da maneira correta, em favor da população”, destacou.

Da redação do Portal de Notícias

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